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sábado, 17 de janeiro de 2026

Não adianta desligar o celular! PF assusta Brasília com tecnologia capaz de extrair dados de celulares mesmo desligados

A Polícia Federal tem utilizado tecnologias avançadas de forense digital capazes de acessar dados completos de celulares apreendidos mesmo quando os aparelhos estão desligados ou protegidos por senha, algo que, nos bastidores do poder, tem provocado preocupação entre figuras do meio político e empresarial.

Ao contrário das forças policiais que conseguem apenas quebrar ou driblar o bloqueio de tela em dispositivos ligados, a perícia da PF consegue extrair todo o conteúdo de memória interna do aparelho apreendido, incluindo mensagens, fotos, vídeos, e-mails e registros de aplicativos, mesmo que o telefone não esteja conectado à internet ou redes móveis.

A técnica começa com o isolamento físico do aparelho em uma "gaiola de Faraday", um dispositivo, bolsa ou caixa com revestimento metálico capaz de bloquear qualquer sinal eletromagnético. Isso impede que o celular se conecte a redes externas — o que poderia permitir, por exemplo, que o dono apague dados remotamente.

Dentro desse ambiente isolado, os peritos ligam o aparelho e utilizam softwares especializados — de uso restrito — que conseguem se conectar ao dispositivo e baixar integralmente todos os dados armazenados, mesmo com bloqueios de senha.

Se o telefone estiver desligado, danificado ou criptografado de tal forma que a senha não possa ser quebrada por meios digitais, a perícia pode recorrer a procedimentos mais invasivos, como a técnica conhecida como "chip-off".

Nesse método, o dispositivo é desmontado e o chip de memória é retirado fisicamente para leitura em equipamento externo, permitindo a extração de dados diretamente dos componentes.

Banco Master
Fachada do Banco Master na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Método preocupa autoridades em Brasília

O uso dessa tecnologia pela PF ganhou destaque nos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga o grupo ligado ao Banco Master e seus principais executivos, incluindo o chefe da instituição, Daniel Vorcaro, e o investidor Nelson Tanure.

Nos corredores do poder, aliados e assessores de investigados têm demonstrado apreensão pelo fato de que a extração não permite acesso parcial ou filtrado dos dados: ou todo o conteúdo é copiado para análise, ou nada é obtido, o que significa que conversas, fotos e registros que não têm relação direta com a investigação também entram no escopo da perícia.

Para críticos — entre juristas, parlamentares e especialistas em direito digital —, essa amplitude de acesso levanta questões sobre privacidade, proporcionalidade e os limites legais da coleta de dados em investigações criminais, especialmente quando envolve pessoas com grande influência política e social.

A perícia digital é considerada hoje uma das frentes mais relevantes da investigação criminal moderna, na medida em que smartphones concentram grande parte da vida digital das pessoas, incluindo comunicações, atividades financeiras e histórico de navegação.

Por isso, especialistas ouvidos por veículos de imprensa lembram que, embora a tecnologia represente um avanço investigativo significativo, seu uso precisa estar ancorado em autorizações judiciais claras e salvaguardas que respeitem direitos fundamentais, como privacidade e o devido processo legal.

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