O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não está satisfeito com a forma como o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está conduzindo o inquérito sobre o Banco Master.
Lula tem acompanhado o caso e as discussões sobre a atuação do ministro. Nos últimos dias, ele deu sinais de que não aprova as críticas feitas a Toffoli.
Segundo infromações do O Globo, Lula fez comentários duros sobre o ministro. Em desabafos, ele chegou a dizer que Toffoli deveria renunciar ao cargo no Supremo ou se aposentar.
Lula comentou com esses aliados que pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito.
Mesmo com esses comentários duros, os assessores de Lula acham improvável que o presidente realmente sugira que o ministro deixe o tribunal ou abandone a relatoria do caso.
O que mais incomoda Lula é o desgaste que o Supremo está sofrendo por causa das notícias que ligam parentes do ministro a fundos relacionados ao Banco Master. Aliados contam que o presidente também criticou o sigilo imposto ao processo e a sensação de que a investigação pode estar sendo abafada.
Os auxiliares de Lula defendem que as investigações sigam em frente e que o governo mostre firmeza no combate a fraudes.
“Não é possível que a gente continue vendendo o pobre ser sacrificado enquanto for um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, afirmou Lula na sexta-feira (23).
Há a percepção de que o caso pode afetar políticos da oposição, mas também pode respingar em aliados do governo.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem conexões com políticos do centrão e também com aliados do PT na Bahia.
O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do banco, é próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado.
Desde o final do ano passado, Lula acompanha o andamento do inquérito. Ele ficou surpreso com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo alto um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para que o caso fosse para o STF.
Segundo um aliado, Lula começou a temer que o caso terminasse em uma “grande pizza” (ou seja, sem punições reais).
Em dezembro, ele chamou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, junto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Na conversa, que Lula descreveu como amistosa, o presidente teria dito que tudo o que o governo descobriu precisava ser investigado até o fim. Ele queria saber se o tribunal tinha a mesma disposição, mesmo com o sigilo.
Toffoli respondeu, segundo relatos, que nada seria abafado e que o sigilo tinha justificativa. Lula então disse que Toffoli faria a coisa certa.
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