Prefeituras de diversos municípios do país negam terem aplicado doses vencidas da vacina AstraZeneca contra a Covid-19. O uso de imunizantes fora da data de validade, noticiado pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (02), compromete sua proteção contra o coronavírus. Os dados constam de registros oficiais do Ministério da Saúde.
As respostas das prefeituras, contudo, não comprovam a
aplicação na data correta. Além disso, ao atribuírem o resultado do
levantamento a erros nos dados do sistema federal, elas apontam para o que pode
ser um outro problema: a falta de controle sobre a vacinação no país e talvez
sobre o próprio DataSUS, fonte de acompanhamento da saúde pública no Brasil.
A campeã no uso de vacinas vencidas é Maringá, que aplicou em
3.536 pessoas uma dose da AstraZeneca fora da validade.
O secretário de Saúde da cidade, Marcelo Puzzi, afirma que
houve um erro no lançamento do Sistema Conect SUS, que estaria diferente do dia
da aplicação das doses. “Isso porque, no começo da vacinação, a transferência
de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses.
Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes
da data do vencimento”, afirma em nota.
As prefeituras de Salvador, de Taboão da Serra (SP) e de
Contagem (MG) dizem que houve falhas no lançamento de dados no sistema e que apenas
o registro foi feito em data posterior à aplicação da vacina.
A Folha ressalta, no entanto, que se baseou no campo “vacina
data aplicação” dos microdados da Campanha Nacional de Vacinação contra
Covid-19 do DataSUS para avaliar as doses ministradas com atraso (e não no
campo “data importação mds”, que se refere ao dia em que os dados foram
importados no sistema).
Há casos, por exemplo, de indivíduos vacinados em 4 de junho
em que os dados entraram na base em 13 de junho.
A informação da data de aplicação da vacina é importante.
Serve, por exemplo, para verificar se as metas de cada grupo populacional foram
atingidas na campanha e se o intervalo entre as doses vacinais está sendo
aplicado corretamente (por exemplo, de 28 dias no caso da Coronavac e três
meses na Astrazeneca).
A Prefeitura de São Paulo afirma, em nota, que não aplicou
doses vencidas e que a data de validade dos imunizantes passa por uma tripla
checagem, ao receber, ao distribuir e ao aplicar, além de ser exibida no frasco
ao imunizado. “Neste momento, o município está fazendo um rastreamento nas mais
de 7 milhões de doses aplicadas, com a revisão de todos os lotes e vacinas
cadastradas, inclusive para a eventual detecção de eventuais falhas no momento
do cadastro no sistema”, complementa.
A Prefeitura do Rio de Janeiro afirmou que está sendo
verificado se houve aplicação de doses após o vencimento. Caso isso tenha
acontecido, a unidade entrará em contato com os usuários para realizar a
revacinação.
Em nota, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)
e o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) dizem que
os casos de uso de imunizante fora do prazo de validade serão investigados e
que “não está descartado erro do sistema de informação do Programa Nacional de
Imunizações, que desde o início da campanha de vacinação apresenta
instabilidade no registro de dados”.
As entidades afirmam que o número de casos identificados
corresponde a 0,0026% de todas as doses aplicadas no país. “É necessária
ponderação e investigação quanto à aplicação das doses e preenchimento das
informações”, dizem. (Via: Folha de S.Paulo)
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